Diocese de Votuporanga


Igreja no Mundo
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Dom Antônio Emídio Vilar foi nomeado novo bispo da Diocese de São José do Rio Preto

Dom Antônio Emídio Vilar foi nomeado hoje, 19 de janeiro, bispo da diocese de São José do Rio Preto (SP). Até então, ele estava à frente da diocese de São João da Boa Vista (SP). Salesiano, dom Vilar recordou em mensagens às duas dioceses as palavras de são João Bosco, “diante deste novo desafio”: “Um desejo do papa é para nós uma ordem”, disse.

“Assim acolho o pedido do papa Francisco. Há 13 anos, quando fui nomeado bispo, já dizia: o mesmo Deus que nos escolhe nos faz fiéis até o fim, não há porque temer o que virá. Ele é o Senhor, nós somos seus servos. Cabe-me agora cooperar como um simples operário em sua vinha, disposto ao que Ele quiser. Para que eu seja fiel ao meu sim, peço as orações de todos”, afirmou o bispo durante coletiva de imprensa na manhã de hoje, na catedral de São João da Boa Vista.

À diocese de São José do Rio Preto, dom Vilar enviou sua “minha saudação paternal e bênção apostólica”. “Quero conhecer mais e mais sua história, seus personagens e suas expressões eclesiais. Espero vê-los, ouvi-los, abraçá-los e caminhar junto com todos vocês. Uno-me à caminhada feita e quero me aventurar a perscrutar o caminho do Senhor em espírito sinodal com vocês, todos abertos ao Espírito que nos encanta sempre, pois Ele faz novas todas as coisas”, afirmou.

O bispo agradeceu também ao arcebispo de Ribeirão Preto (SP), dom Moacir Silva, por sua atuação como administrador apostólico de São José do Rio Preto no período de sede vacante. A diocese de São José do Rio Preto estava com sede vacante desde agosto de 2021, quando dom Tomé Ferreira da Silva renunciou ao cargo.

Biografia

O bispo eleito de São José do Rio Preto, dom Antônio Emídio Vilar, nasceu em 14 de novembro de 1957, em São Sebastião do Paraíso (MG). Semanas após seu nascimento, sua família se mudou para Batatais (SP). Aos 11 anos, ingressou no seminário salesiano em Pindamonhangaba (SP). Emitiu sua profissão religiosa em 31 de janeiro de 1976.

Entre 1976 e 1978, cursou Filosofia e Pedagogia em Lorena (SP). Mais tarde, 1981 a 1986 cursou bacharelado e mestrado em teologia na Universidade Pontifícia Salesiana (UPS), em Roma. Foi ordenado sacerdote em 9 de agosto de 1986. Em 23 de julho de 2008, foi nomeado bispo da diocese de São Luiz de Cáceres (MT) e recebeu a ordenação episcopal em 27 de setembro do mesmo ano. Em 28 de setembro de 2016, foi transferido para a diocese de São João da Boa Vista, à frente da qual estava até o momento.

Dom Vilar atuou no Regional Oeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) como bispo referencial da Juventude, da Liturgia, do Centro de Estudos de Filosofia e de Teologia (Sedac) e do Tribunal Eclesiástico.  Além disso, de 2011 a 2019, foi membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB.  Atualmente, é bispo referencial da Juventude do Regional Sul 1 da CNBB.

A posse de dom Antônio Emídio Vilar na diocese de São José do Rio Preto está marcada para o dia 19 de março, festa de são José.

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500 mil mortes no Brasil: Toda vida Importa

Infelizmente chegamos na triste marca de 500 mil mortes por conta da Pandemia da Covid-19! Esse vírus que assola o mundo há aproximadamente dois anos e que já levou tantas pessoas queridas do nosso convívio. Quantos de nós não conhece alguém que contraiu o vírus, ele está cada vez mais perto de nós. Alguns contraem o vírus e graças a Deus ficam bem, outros infelizmente não tem a mesma sorte.

Esse vírus que veio para ser um alerta para nós, para mudarmos as nossas atitudes conosco mesmo e com o próximo e veio nos ensinar a viver um novo normal e que a humanidade pudesse ao menos mudar um pouco as suas atitudes, mas esse vírus está demorando para ir embora e mesmo assim a humanidade parece não ter aprendido muita coisa.

As vacinas estão aí, mas infelizmente as pessoas tomam a vacina e acham que já estão totalmente imunizadas contra o vírus e acabam saindo pelas ruas sem máscara e não tomam mais o cuidado devido. Pelo contrário, mesmo tomando o imunizante devemos manter os cuidados, sobretudo usando a máscara e protegendo a nós e os outros. Segundo a OMS (organização mundial da saúde), teremos ainda que usar a máscara por um bom tempo.

Muitas pessoas ao final de 2020 esperavam um 2021 melhor e a erradicação do corona vírus, mas infelizmente o 2021 está bem parecido com 2020 e a pandemia está ai a todo vapor. Rezemos para que tão logo a vacina possa chegar ao braço de todos os brasileiros e mantendo todos os cuidados, mesmo após a vacinação poderemos ter um 2022 melhor, voltando a vida normal. Dessa forma reduziremos o número de mortes que infelizmente chegamos aos 500 mil e que não cheguemos ao número de um milhão de mortes.

A Igreja tem buscado fazer a sua parte, os padres nas paróquias, os bispos em suas dioceses e o Papa Francisco tem alertado as pessoas quanto ao cuidado com o corona vírus e a importância do uso de máscara. De igual modo a Igreja tem rezado por todas as vítimas do corona vírus no mundo e rezado para que suas famílias sejam confortadas pela fé que vem de Deus.

A Igreja no Brasil inclusive por meio da CNBB (Conferência nacional dos Bispos do Brasil), lançou uma campanha “Toda vida importa” e uma mobilização de oração pelos 500 mil mortos da pandemia. É um momento em que o país inteiro se encontra de luto e se solidariza com as vítimas e os familiares das vítimas da pandemia da covid-19. Ninguém imaginava quando essa pandemia começou que pudéssemos chegar a esse número tão expressivo de mortes, mas infelizmente chegamos e cabe a nós estarmos unidos em oração com toda essa situação que o nosso país e o mundo se encontram.

A CNBB (Conferência nacional dos Bispos do Brasil), preparou uma programação neste sábado, dia 19 de Junho. Eu mesmo celebrei de manhã nessa intenção e foi o tema do ângelus em nosso sistema de comunicação. Estivemos transmitindo os atos da CNBB e divulgamos a oração pelos nossos meios de comunicação e enviamos para que todas as paróquias rezassem neste final de semana. Recomendei às paróquias para que neste sábado, as 15 horas tocassem os sinos, em memória das vítimas e uma maneira de demonstrar apoio e solidariedade com as vítimas.

Para essa iniciativa do dia de hoje a CNBB preparou cards que foram compartilhados nas redes sociais e que podemos compartilhar, para demonstrar apoio para com aqueles que faleceram e seus familiares. A cada cartaz que compartilharmos podemos rezar uma Ave Maria, em memória das vítimas, não compartilhemos simplesmente porque todos estão fazendo, mas compartilhemos no intuito de rezar por essas vítimas.

A razão dessa iniciativa da CNBB é que todas as pessoas se solidarizem, criar no ser humano um “espírito de solidariedade” para que possamos tornar o nosso país um pouco melhor. Dom Joel Portela Amado que é bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário geral da CNBB acredita que todas as pessoas, de algum modo, têm o mínimo de sensibilidade em seu coração e devem parar nesse momento e refletir. “É um número simbólico, meio milhão de pessoas é muita gente” (afirma dom Joel).

Dom Joel Portela Amado destaca ainda que esse espírito de oração deve perdurar ao longo dessa semana inteira e que representa um gesto de estar junto ao povo brasileiro e solidariedade com todas as vítimas da covid -19. É um momento em que todos nós devemos nos mobilizar, seja os crentes ou não. Devemos sempre acreditar na vida.

Que possamos trazer em nosso coração esse sentimento de oração e solidariedade por todas as vítimas da Covid-19 e seus familiares e que ao longo de toda essa semana possamos trazer em nosso coração essa frase: “Toda a vida importa”. Rezemos e nos cuidemos uns dos outros, para que não cheguemos ao número de um milhão de mortos.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-06/dom-orani-brail-500-mil-mortes-covid.html

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MEIO MILHÃO DE VIDAS PERDIDAS: ENTIDADES DO PACTO PELA VIDA E PELO BRASIL SE MANIFESTAM DIANTE DAS MORTES PELA COVID

A CNBB, juntamente com a Ordem dos Advogados do Brasil, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, a Academia Brasileira de Ciências, a Associação Brasileira de Imprensa e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, escreveram uma carta em que prestam solidariedade às milhares de famílias afetadas pela perda de entes queridos pela Covid-19.

As entidades também manifestaram indignação pelas manifestações contrárias às medidas recomendadas por organismos sanitários no cuidado e na promoção da vida. Por fim, ainda destacaram a importância do trabalho da CPI da Pandemia, instalada no Congresso Nacional, para investigar as ações da gestão pública diante da crise da pandemia.

As seis entidades signatárias dessa carta se sensibilizaram com a situação provocada pela pandemia e se uniram desde abril do ano passado, quando lançaram o Pacto Pela Vida e Pelo Brasil, endossado por organizações e pessoas de todo o país. Naquela época, logo no início da pandemia, as entidades perceberam que eram necessárias medidas firmes, guiadas pela ciência, para conter o seu alastramento. Previa-se que a crise sanitária atingiria de forma desigual a população brasileira, afetando particularmente os mais vulneráveis.

MEIO MILHÃO DE VIDAS PERDIDAS

Em sete de abril de 2020, Dia Mundial da Saúde, as seis entidades signatárias desta carta manifestaram-se diante da expansão da Covid-19, lançando o Pacto Pela Vida e Pelo Brasil, endossado por organizações e pessoas de todo o país. Sinais indicavam se tratar de um vírus de alta transmissão, com impactos graves sobre o organismo humano, pedindo medidas firmes, guiadas pela ciência, para conter o seu alastramento. Previa-se que a crise sanitária atingiria de forma desigual a população brasileira, afetando particularmente os mais vulneráveis.

O Brasil contava, então, com 688 óbitos pelo coronavírus. Hoje, passado pouco mais de um ano, são 500 mil óbitos, meio milhão de vidas perdidas. O equivalente a duas vezes e meia o número de mortos pelas bombas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945.

Uma palavra de esperança sempre será necessária para confortar as milhares de famílias afetadas pela perda de entes queridos. A todas, nosso sentimento e nossa solidariedade. Contudo, continua causando estranheza, e também indignação, as manifestações contrárias às medidas recomendadas por organismos sanitários, no cuidado e na promoção da vida humana.

É incompreensível, especialmente por parte do Presidente da República, no exercício de suas atribuições constitucionais, a promoção de aglomerações com objetivos ideológico-políticos, estimulando comportamentos sociais com risco epidemiológico. Tais atitudes são um atentado contra a vida e contra os valores democráticos.

Manifestações de autoridades promovendo o uso de medicação sem eficácia no combate ao vírus, o descrédito propagado em torno da ciência, a omissão em relação às vacinas, a multiplicação de fake news, a desorientação sanitária e a falta de coordenação nacional no enfrentamento da pandemia cooperaram para que o número de doentes e mortos alcançasse níveis exorbitantes.

Pertinente e indispensável é a CPI instalada no Senado Federal, que se debruça sobre um mar de informações, convergindo para uma certeza: negacionismo mata. Desejamos que a CPI, ao concluir seus trabalhos, elucide a verdade dos fatos para os brasileiros, podendo abrir um novo capítulo em nossa história democrática.

Importante ressaltar que a falsa oposição entre salvar vidas e salvar a economia, que ainda alimenta o discurso oficial, revela a estratégia de quem não faz nem uma coisa nem outra. A população sofre com a falta de vacinas, cuja compra foi sistematicamente negligenciada por órgãos oficiais, assim como sofre pela falta de trabalho e de perspectivas. A concentração de renda, uma das maiores do mundo, segue seu curso, enquanto a fome se instala em milhões de lares. E o necessário auxílio emergencial, que deveria continuar a ser de R$ 600, serve como paliativo, jamais como solução.

O Estado democrático de direito, com amplo respeito às instituições, promove o convívio social pacífico, estimulando o entendimento e a disposição para a construção de uma nação mais justa e fraterna. Porém, não é nessa direção que caminham alguns setores da sociedade e parcela dos governantes. O vazio de políticas públicas, ao lado das políticas da desconstrução, não só no âmbito da saúde, mas em educação, cultura, meio ambiente, moradia, emprego, geração de renda, apoio à ciência e inovação, revela a sociedade que se sente confusa, abandonada e adoecida.

Expressamos aqui a nossa solidariedade, com uma palavra de conforto. Se, por um lado, a morte de tantos requer o silêncio respeitoso e as preces dos que têm fé, de outro lado, conclamamos mais uma vez a união nacional em defesa da vida e da democracia no Brasil. Dias melhores virão. Seja esta a bandeira de um novo tempo. Vidas perdidas não serão esquecidas.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB

José Carlos Dias, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns

Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências – ABC

Paulo Jeronimo de Sousa, presidente da Associação Brasileira de Imprensa – ABI

Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC

Fonte: https://www.cnbb.org.br/meio-milhao-de-vidas-perdidas-entidades-do-pacto-pela-vida-e-pelo-brasil-se-manifestam-diante-do-numero-de-mortes-pela-covid-19-no-pais/

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Conselho Permanente da CNBB envia carta ao Congresso

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido nos dias 16 e 17 de junho, de forma online, preparou e enviou uma carta ao Congresso Nacional, mediante os graves retrocessos na pauta agrária e socioambiental.

Confira a carta na íntegra: 

CARTA AO CONGRESSO BRASILEIRO MEDIANTE OS GRAVES RETROCESSOS NA PAUTA AGRÁRIA E SOCIOAMBIENTAL

“Quando algumas empresas sedentas de lucro fácil se apropriam dos terrenos, chegando a privatizar até a água potável, ou quando as autoridades deixam o caminho livre a madeireiros, a projetos minerários ou petrolíferos e outras atividades que devastam a floresta e contaminam o ambiente, transformam-se indevidamente as relações econômicas e tornam-se um instrumento que mata.”

(Papa Francisco – Querida Amazônia, 14)

Nós, do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, diante das discussões referentes aos projetos legislativos que tratam dos direitos constitucionais dos povos da terra, das águas e das florestas no Congresso Nacional, nos dirigimos aos senhores presidentes do Senado e da Câmara Federal, e aos demais membros dessas Casas, com a intenção de apresentar a nossa reflexão e solicitação.

Como a viúva, da parábola contada por Jesus (cf. Lc 18,1-8), pobre, mas firme na determinação por garantir seus direitos, que convenceu o juiz da cidade por meio de sua insistência, também nós, voltamos a reiterar o clamor pelos direitos das comunidades e da natureza, certos de que este pleito por justiça será escutado.

Os bispos da Amazônia já haviam externado a preocupação por meio da carta ao Excelentíssimo senhor presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, no início do mês passado, sobre o conteúdo do PL nº 510/2021. O caráter de urgência atribuído aos Projetos de Leis que tocam a pauta ambiental e agrária intensifica nossa preocupação. Em verdade, todos esses PLs são oriundos da mesma fonte: a MP nº 910/2019, a qual já havia sido denunciada como nociva aos povos, pelos bispos da Amazônia, há exatamente um ano, em nota pública.

Nossa preocupação é com os riscos destes Projetos para as populações campesinas e tradicionais no atual contexto de perpetuação da Pandemia da Covid-19, bem como o tempo necessário para que um Projeto de Lei de tamanha consequência para o País sem uma ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira. Trata-se, em suma, de patrimônio público, de territórios de vida que poderão ser concedidos à iniciativa privada por meio dos respectivos Projetos de Leis. Defendemos que seus termos sejam de conhecimento e debate com o conjunto da sociedade brasileira como um todo, já que sua matéria envolve os direitos constitucionais das populações da terra, das águas e das floretas.

Se a MP nº 910/2019 havia sido obstada exatamente por se tratar de medida provisória, sem o necessário tempo para discussão com a sociedade brasileira, o PL nº2633/2020, em sendo conferido caráter de urgência na tramitação na Câmara dos Deputados, sujeita-se à mesma crítica que obstou a referida Medida Provisória, da qual é originário. Ainda mais porque a ele foi apensado o PL 1730/2021, que se trata de uma cópia do PL 510/2021 do Senado, considerado um dos mais preocupantes projetos de flexibilização da regularização fundiária no Brasil, conforme externamos em nossa carta aos senadores.

Como dito na mencionada carta dos bispos da Amazônia:

“A regularização fundiária no Brasil é extremamente relevante e requer a atenção da sociedade. Mas, numa situação de emergência como a que enfrentamos com a pandemia, não há urgência ou lacuna legal que justifique o retorno de um PLs sobre tema tão complexos, pois a legislação vigente (Lei 11.952/2009) já atende aos pequenos e médios produtores. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG) são quase 200 mil posseiros que podem receber seu título de propriedade. O que falta, no entanto, é fortalecer a estrutura dos órgãos responsáveis para fazer valer a lei fundiária brasileira e as políticas públicas de incentivo à produção familiar. E para os que ocupam e produzem em terras públicas há décadas, a legislação atual já é suficiente.”

Assim,

  • Considerando que o caráter de urgência à tramitação do PL 2633/2020 e PL 1730/2021 retira a possibilidade de sua necessária ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira;
  • Considerando a necessidade de dar voz aos povos da terra e das florestas, sobretudo aos agricultores familiares e comunidades tradicionais que seriam afetados diretamente com os termos do Projeto de Lei 510/2021, no Senado Federal, e os Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021, na Câmara dos deputados, que objetivam instaurar novas regras para processos de regularização fundiária favorecendo a grilagem de terras no Brasil, como também o Projeto de Lei 490/2007, na Câmara dos Deputados, que visa restringir das demarcações de terras indígenas com base na tese do marco temporal;
  • Considerando que a pandemia prejudica o debate das populações vulneráveis mais afetadas sujeitos de direitos dos projetos de Leis em tramitação;
  • Considerando que a grilagem de terras públicas é responsável por 1/3 (um terço) do desmatamento no Brasil, além de ser promotora de violência no campo brasileiro;
  • Considerando que os Projetos de Leis atinentes à regularização fundiária flexibilizam procedimentos para a titulação de terras por meio da autodeclaração e dispensam a exigência de vistoria para a regularização dessas áreas;
  • Considerando que o crescimento do desmatamento ilegal na Amazônia precisa ser combatido de forma urgente e que o PL 2159/2021 no Senado Federal e o PL 2633/2020 na Câmara Federal podem ter como consequência o estímulo ao desmatamento;
  • Considerando que os Projetos de Leis em pauta possibilitam a titulação de terras com pendências ambientais e alvo de conflitos fundiários, o que favorece pessoas com maiores recursos financeiros em detrimento dos mais vulneráveis;
  • Considerando que o Projeto de Lei 510/2021 e o Projeto de Lei 2159/2021, no Senado Federal, e os Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021 e o Projeto de Lei 490/2007, na Câmara dos Deputados, tratam de patrimônio público que será entregue à iniciativa privada, com tamanho ataque aos biomas e aos seus respectivos povos, verdadeiros guardiões da natureza, sem audiências públicas;

Nós, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, conscientes de nossa missão de pastores comprometidos com a vida de todos os seres da Criação, respeitosamente, reivindicamos encarecidamente que se proceda a retirada do regime de urgência da tramitação dos Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021, na Câmara dos deputados, como também dos demais Projetos de Leis em tramitação supracitados (PL 510/2020 e PL 2159/2021 no Senado e PL 490/2020 na Câmara), e se favoreça um debate amplo a respeito da regularização fundiária e do licenciamento ambiental, e da preservação da vida das populações indígenas nos seus territórios, considerando, sobretudo, os pleitos apresentados na Carta dos Bispos da Amazônia, de maio deste ano.

Pedimos ao Deus da vida, que sempre nos acompanha e nos socorre, esteja conosco em mais esse momento de luta e na defesa intransigente da justiça e da vida dos nossos povos.

Brasília-DF, 17 de junho de 2021.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler, OFM
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: https://noticias.cancaonova.com/brasil/conselho-permanente-da-cnbb-envia-carta-ao-congresso/

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Dia do Refugiado: cardeal Tagle enfatiza o fim do tráfico humano

Em comemoração do Dia do Refugiado, celebrado no dia 20 de junho, e no contexto da Campanha Continental contra o Tráfico de Pessoas, o Celam, a Rede CLAMOR e a Caritas América Latina e Caribe, com o apoio da Caritas Brasileira, organizaram na sexta-feira, 18, um Seminário Continental de Incidência contra o Tráfico de Pessoas.

O evento virtual faz parte de uma série de atividades que procuram enfatizar o tema da incidência, uma dinâmica que está sendo promovida ao longo deste ano com a Campanha “A vida não é uma mercadoria, é tráfico humano“. O objetivo era gerar uma reflexão sobre o tráfico de pessoas a partir da realidade global e latino-americana, procurando ser um espaço de diálogo na região para os próximos meses, a fim de definir uma agenda comum que se adapte e reflita o trabalho que tem sido feito.

O presidente da Rede Clamor, Dom Juan Carlos Rodriguez Vega, dirigiu-se aos participantes do Seminário afirmando que “a Igreja tem a missão de evangelizar, e viver a caridade é uma forma concreta de pregar o Evangelho com caridade, pregando-o com obras, mais do que com palavras”. Para o arcebispo de Yucatán (México), “se queremos ir mais longe na caridade, temos de procurar influência política, de influenciar, de procurar maneiras de fazer mudanças políticas para que muitos irmãos refugiados possam se beneficiar”. A partir da ideia de que “a política é a forma mais elevada de caridade”, apelou a procurar essa política, “o verdadeiro bem comum, que atinge todas as pessoas, incluindo os nossos irmãos refugiados”.

John Aloysius destacou o trabalho da linha da frente da Rede CLAMOR para “proteger, acolher, promover a dignidade dos migrantes, deslocados e vítimas de tráfico humano e facilitar a sua integração”. Para o Secretário-Geral da Cáritas Internacional, no campo da incidência em tempos de Covid-19, o desafio é “como dar a conhecer o sofrimento e as vozes dos migrantes, como acompanhá-los com dignidade neste período de pandemia, e, finalmente, como parar o tráfico de seres humanos, promovendo ações alternativas que ajudem os potenciais migrantes a permanecer no país e a encontrar uma forma de viver com dignidade através de atividades económicas”.

Cardeal Tagle

O Cardeal Tagle começou a sua participação no seminário agradecendo o fato de ter sido organizado, o que ele vê como “um sinal de que a Cáritas continua empenhada em acompanhar as pessoas que se deslocam em todo o mundo”. O presidente da Cáritas Internacional recordou a campanha “Share the Journey”, lançada há quatro anos com “a esperança de construir pontes entre ilhas que foram separadas umas das outras pelo medo”. Nas suas palavras, recordou o desafio proposto pela campanha, “não apenas para ver os migrantes, mas para os olhar com compaixão, não apenas para ouvir a sua voz, mas para ouvir as suas histórias e preocupações, não apenas para passar do outro lado, mas para parar, como o Bom Samaritano, e viver um momento de comunhão, de solidariedade, com eles”. Por esta razão, afirmou que a campanha “Share the Journey” ajudou a Cáritas “a chegar aos migrantes, a abraçar a sua pobreza e sofrimento, a elevá-los, com a convicção de que não são números, são pessoas, com nomes, com dignidade, com história e com sonhos. E ver Jesus Cristo neles, como uma criança que se torna um refugiado no Egito com os seus pais”.

Foi uma campanha, segundo o Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, com a qual “a Cáritas ajudou a desenvolver e difundir uma nova cultura a nível global, uma cultura vital de encontro pessoal, uma nova visão de acolhimento da pessoa humana no migrante”. O cardeal filipino recordou a sua visita ao campo de refugiados de Edumene, na Grécia, como “uma experiência que permanecerá comigo durante muito tempo”, algo que também viveu no Líbano, na Jordânia, no Bangladesh. Nesses momentos, estava feliz com a atenção que recebiam como seres humanos, mas entristecia-se ao pensar se isto seria para eles um estado de vida permanente ou temporário.

Suas raízes

Em migrantes e refugiados, o Cardeal Tagle disse ter visto as suas próprias raízes, recordando que o seu avô nasceu na China, uma terra que foi obrigado a deixar quando era jovem. Voltando à campanha “Share the Journey”, definiu-a como “um grande momento de encontro, solidariedade e, sobretudo, uma expressão do amor da Igreja pelas pessoas que migram, cristãos, muçulmanos, hindus, seguidores de outras religiões e pessoas sem religião, foram recebidos como pessoas humanas”.

Migrantes e refugiados tornam-se “vítimas de uma empresa chamada tráfico de seres humanos”, que, nas palavras do cardeal, “esta empresa tem muitos voluntários e trabalhadores, à espera de migrantes em cada rua, em cada esquina, em cada margem”. Segundo o presidente da Cáritas Internacional, “é irónico que, para proteger a própria vida, se tenha de aceitar ser tratado como um objeto a ser vendido e utilizado. Isto é algo que “revela uma mentalidade e uma economia defeituosas em que os seres humanos se tornam objetos, enquanto o dinheiro se torna objeto de amor”.

Por esta razão, o cardeal filipino sublinhou a importância de um trabalho que visa “evitar que as pessoas em movimento se tornem vítimas do tráfico de seres humanos, prostituição e escravatura”. Num momento marcado pela Covid-19, que “nos deveria conduzir a uma solidariedade global”, e com atitudes xenófobas por parte de muitos países, salientou a importância de “continuar partilhando o caminho com os migrantes”. O Papa Francisco foi colocado pelo cardeal como “uma fonte de inspiração para esta campanha”, insistindo na sua companhia e encorajamento para “defender, acolher, acompanhar e integrar os migrantes”.

Direito de permanecer no país de origem

O presidente da Cáritas Internacional propôs quatro tarefas à Cáritas América Latina e à Rede CLAMOR: “Estudar e abordar as causas da migração forçada de pessoas na sua região”, insistindo que “os cidadãos têm o direito de permanecer no seu país de origem”, o que exige a intervenção da comunidade internacional. Em segundo lugar, “verificar se os migrantes forçados ou refugiados são também vítimas de tráfico humano, prostituição e escravatura”, recordando que este se tornou um dos negócios mais lucrativos.

Uma terceira tarefa seria “seguir os migrantes e refugiados nos seus novos lares”, perguntando “como são recebidos, como a comunidade que os recebe os integra”, e ao mesmo tempo se “os seus talentos, os seus dons são apreciados, se são considerados um fardo, um problema, se os seus filhos têm acesso à educação”. Finalmente, “recolher histórias de compaixão, cuidado, partilha de perspectivas sobre refugiados, cura de feridas e novos começos, histórias de esperança, histórias que mostram o Evangelho em ação”.

O seminário serviu para partilhar diferentes experiências de trabalho com vítimas de tráfico de pessoas, tais como a levada a cabo pela Rede TAMAR na Colômbia. No campo da incidência levaram a cabo, segundo Victoria Tenjo, processos de prevenção, sensibilização e cuidados, insistindo que “o tráfico de pessoas existe, se o ignorarmos é favorecido”. Por este motivo, a religiosa Adoradora salientou alguns desafios para levar a cabo esta defesa, tais como a importância do trabalho interdisciplinar (comunhão), a visão holística da realidade (contemplação), e a tomada de ação para a transformação (co-criação).

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Papa no Angelus: acreditar no poder suave e extraordinário da oração

Na oração mariana do Angelus deste domingo, 20, o Papa Francisco falou sobre o texto do Evangelho de Marcos no qual Jesus com os discípulos no barco, acalmou a tempestade. No texto, os discípulos são deixados levar pelo medo, assustados, olhando as violentas ondas e ficam perplexos ao ver Jesus, na popa, dormindo sobre um travesseiro. E gritam-lhe: “Mestre, não te importa que pereçamos?”.

Partindo da atitude dos discípulos, o Papa Francisco nos recorda: “Muitas vezes nós também, assaltados pelas provações da vida, gritamos ao Senhor: ‘Por que ficas em silêncio e não fazes nada por mim?’”. Devemos lembrar, continua o Papa que “apesar de estar dormindo, Jesus está lá e compartilha com seus discípulos tudo o que está acontecendo. Seu sono, se por um lado nos surpreende, por outro nos põe à prova”. E explica:

“O Senhor, de fato, espera que o envolvamos, que o invoquemos, que o coloquemos no centro do que vivemos. Seu sono nos provoca a acordar. Porque, para ser discípulos de Jesus, não basta crer que Deus está presente, que existe, mas é preciso se envolver com Ele, é preciso também levantar nossa voz com Ele, gritar a Ele”

Chamar Deus através da oração

Francisco continua: “O Evangelho nos diz que os discípulos se aproximam de Jesus, acordam-no e falam com ele”. Este é o começo de nossa fé:

“Reconhecer que sozinhos não somos capazes de permanecer à tona. A fé começa com a crença de que não somos suficientes para nós mesmos, com o sentimento de necessidade de Deus”

“Quando superamos a tentação de nos fecharmos em nós mesmos – continua o Papa – quando superamos a falsa religiosidade que não quer perturbar Deus, quando clamamos a Ele, Ele pode fazer maravilhas em nós. É o poder suave e extraordinário da oração que faz milagres”.

Olhar na direção certa

Depois de Jesus perguntar aos discípulos: ‘Por que tendes medo? Ainda não tendes fé’? nos damos conta que devemos olhar para Jesus e não se deixar levar pelo medo.  E Francisco conclui:

“Quantas vezes ficamos olhando para os problemas em vez de irmos ao Senhor e lançarmos nossas preocupações n’Ele! Quantas vezes deixamos o Senhor em um canto, no fundo do barco da vida, para despertá-lo apenas no momento da necessidade!”

Por fim o Papa pede: “não cansemos de buscar o Senhor, de bater na porta de Seu Coração”, desejando ainda, “Que a Virgem Maria, que em sua vida nunca deixou de confiar em Deus, redescubra em nós a necessidade vital de nos confiarmos a Ele todos os dias”.

Fonte: https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-no-angelus-acreditar-no-poder-suave-e-extraordinario-da-oracao/

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JMJ 2023: plataformas digitais propõem orações mensais

A primeira proposta de oração é para este sábado, 7; iniciativa convida os jovens a se prepararem para o encontro de Lisboa

As plataformas digitais Click To Pray e o Passo a-Rezar propõem, a partir deste mês de novembro, um conjunto de propostas de oração mensais de preparação para Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023.

Nos primeiros sábados de cada mês, o Passo-a-Rezar divulga uma oração que é também um convite dirigido a todos os jovens para participarem do espírito da JMJ e para se envolverem no caminho de preparação até 2023. As meditações são propostas pela organização da Jornada Mundial da Juventude e lidas por jovens portugueses. Esta parceria tem início neste sábado, 7.

Pensando nos jovens de todo o mundo, a equipe portuguesa do Click To Pray prepara ainda as propostas de oração da manhã e da tarde em todos os dias 23 de cada mês. Estas meditações são inspiradas nas reflexões e discursos do Papa Francisco aos jovens, ao longo do pontificado, e traduzidas em todas as línguas da plataforma Click To Pray: português, espanhol, francês, inglês, italiano, alemão, chinês, vietnamita e japonês.

A preparação da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 no Click To Pray e no Passo-a-Rezar resulta de uma parceria entre o Comité Organizador Local da JMJ Lisboa 2023 e a Rede Mundial de Oração do Papa, que gere as plataformas digitais Click To Pray (a aplicação oficial de oração do Papa Francisco) e Passo-a-Rezar (que propõe passos diários de oração através das redes sociais).

As propostas de oração são divulgadas através dos canais de comunicação e redes sociais da JMJ Lisboa 2023 e da Rede Mundial de Oração do Papa, a nível nacional (Passo-a-Rezar) e internacional (Click To Pray).

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Sem água não há vida, afirma Papa em encontro com bispos

O Papa Francisco no domingo se juntou aos bispos italianos em seu apelo pelo cuidado com a água, por se tratar de um bem comum.

Anualmente, sempre no dia 8 de novembro, a Itália celebra um dia — dedicado a um tema diferente — promovido pela Conferência dos Bispos Católicos da Itália. Este ano o tema é “Água, benção da terra”.

Água, disseram os bispos italianos, é um presente — o primeiro de todos. Os religiosos italianos expressam a sua proximidade “aos homens e mulheres da Terra, sabendo que o bem-estar da população depende do seu trabalho generoso”, conscientes de que a pandemia de Covid-19 “teve um forte impacto em todo o mundo e no trabalho [desenvolvido pelas pessoas]”.

Falando após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco observou que “a água é vital para a agricultura; também é vital para a vida!”. O Sucessor de Pedro expressou sua proximidade com oração e carinho ao mundo rural, e “especialmente aos pequenos agricultores”, explicando que “o seu trabalho é mais importante do que nunca neste tempo de crise”.

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Alimento e teste da Covid-19 para os indigentes, a caridade do Papa não pára

Dom Rino Fisichella apresentou nesta quinta-feira na Sala de Imprensa vaticana as iniciativas para o quarto Dia Mundial dos Pobres, em 15 de novembro próximo, com a Missa celebrada pelo Papa na Basílica de São Pedro na presença de cerca de uma centena de pessoas. Ativada uma rede de solidariedade para levar alimentos, máscaras e ajuda a milhares de famílias.

Debora Donnini, Silvonei José – Vatican News

No ambulatório sob a Colunata na Praça São Pedro, aberto das 8h às 14h, gerida pela Esmolaria Apostólica, as pessoas necessitadas, que devem ter acesso aos dormitórios ou que queiram regressar à sua terra natal, podem realizar o teste da Covid-19. Este é um dos sinais concretos para o quarto Dia Mundial dos Pobres, que se celebra no domingo, 15 de novembro. Em duas semanas, foram realizados 50 testes por dia. A pandemia, portanto, não pára a solidariedade, embora mudando, em parte, o "rosto" dos tradicionais sinais realizados para a ocasião, tais como o almoço dos pobres com o Papa e a clínica médica na Praça São Pedro, que foram suspensos.

Missa no domingo 15 de novembro

A apresentar este Dia durante a coletiva de imprensa online organizada pela Sala de Imprensa vaticana foi dom Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. Um evento importante para todas as Dioceses do mundo, enfatiza ele, para manter vivo o sentido de fraternidade para com as pessoas mais desfavorecidas. Na Missa com o Papa no domingo na Basílica de São Pedro", disse dom Fisichella, "apenas 100 pessoas estarão presentes, representando todos os pobres do mundo, juntamente com voluntários e benfeitores. E alguns dos presentes irão proclamar as leituras litúrgicas. A celebração eucarística será transmitida ao vivo, com comentários em português em streaming no portal Vatican News.

Temos responsabilidade para com os outros

Dom Fisichella retoma o significado profundo deste Dia que ocorre no XXXIII Domingo do Tempo Comum e foi instituído pelo Papa Francisco como um sinal concreto com a Carta Apostólica Misericordia et misera, no final do Jubileu da Misericórdia em 2016. "Estendei a mão aos pobres" - expressão retirada do Livro da Sabedoria - é o tema escolhido este ano como expresso na Mensagem do Papa para este IV Dia, recorda o prelado ao sublinhar a urgência à qual a pandemia submeteu o mundo inteiro e ao recordar como cada vez mais famílias estão em dificuldades. "Nestes meses, em que o mundo inteiro tem sido como que dominado por um vírus que trouxe dor e morte, desânimo e perplexidade, quantas mãos estendidas conseguimos ver", escreveu o Papa, recordando que "este é um momento favorável para sentir uma vez mais que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade uns para com os outros e para com o mundo”.

Alimentos e máscaras

"Mais uma vez o Papa Francisco também estendeu a sua mão com várias iniciativas para tornar este Dia concreto", salienta o prelado. Não faltam, de fato, iniciativas de apoio alimentar graças à extensa generosidade de alguns benfeitores. Por conseguinte, foram realizados sinais que expressam a atenção do Papa Francisco. "Com o grande apoio de Roma Cares e a generosidade de Elite supermercados, enviaremos nestes dias 5.000 pacotes de bens de primeira necessidade às famílias de cerca de sessenta paróquias romanas que, especialmente neste período, se encontram em dificuldades", diz dom Fisichella. Para além de alimentos de vários tipos, serão também a enviadas algumas máscaras e um bilhete com uma oração do Papa Francisco. O "obrigado" do prelado vai então para o CEO do time do Roma Guido Fienga para Roma Cares e à família Fedeli, proprietária de Elite supermercados. Os pacotes foram embalados por um grupo de vinte jovens atualmente à espera de emprego.

Dom Fisichella menciona também a fábrica de massas "La Molisana" que também este ano - diz - quis estar presente "nas nossas iniciativas com 2,5 toneladas da famosa massa, que serão destinadas a várias Casas Família e Associações de Caridade". Assim como a Société des Centres Commerciaux Italia s.r.l. e a Fundação Robert Halley, que quiseram apoiar as iniciativas do Santo Padre com a sua generosidade em favor dos muitos pobres. Além disso, com o apoio da UnipolSai Assicurazioni, foi enviado um primeiro lote de 350.000 máscaras para pelo menos 15.000 estudantes de escolas de vários níveis, especialmente nos grandes subúrbios da cidade - um sinal de apoio e um convite aos jovens para não subestimarem os perigos da pandemia.

As mãos e o sorriso

Para o Dia também este ano foi preparado um Subsídio Pastoral, traduzido em cinco línguas: trata-se - assinala dom Fisichella – de "um instrumento eficaz para que o Dia não se limite apenas a iniciativas caritativas, mas essas iniciativas sejam apoiadas pela oração pessoal e comunitária". Finalmente, o prelado volta a citar a Mensagem para  quarto Dia em que o Papa, comentando a frase do Livro da Sabedoria "Em todas as suas ações, lembre-se do seu fim", revela como o texto se presta a uma dupla interpretação: por um lado para ter em mente o fim da existência, uma atitude que nos impele a levar uma vida com atenção aos mais pobres; por outro lado, podemos compreender o fim da vida como um projeto a ser cumprido. E o fim de cada ação só pode ser o amor. Um amor que se exprime não só com a mão estendida mas também com o sorriso "de quem", escreveu o Papa, "não faz pesar a sua presença e a ajuda que oferece, mas regozija-se somente em viver o estilo dos discípulos de Cristo". Um dia, então, ao qual se preparar, estendendo as mãos e abrindo o coração ao sorriso dos outros, reagindo desta forma à cultura dos descartados para abraçar a da fraternidade. 

fonte: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-11/alimento-e-testes-covid-para-os-indigentes-a-caridade-do-papa.html

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O Papa: educação, abrir-se ao grito que vem de cada ser humano e da Criação

Francisco agradece e saúda os responsáveis dos diversos Institutos de Vida Consagrada que participam e tornaram possível o encontro sobre o desafio de reconstrução do Pacto Educativo Global que se realiza on-line a partir desta quinta-feira (12/11).

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco enviou uma mensagem ao prepósito-geral da Ordem dos Clérigos Regulares Pobres da Mãe de Deus das Escolas Pias, mais conhecida como Escolápios, pe. Pedro Aguado Cuesta, por ocasião do encontro, promovido pela ordem, sobre o desafio de reconstrução do Pacto Educativo Global que se realiza on-line, por causa da pandemia de coronavírus, a partir desta quinta-feira (12/11) e prossegue até sábado 14. Francisco agradece e saúda os responsáveis dos diversos Institutos de Vida Consagrada que participam e tornaram possível este evento.

Ouça e compartilhe

“A Vida Consagrada sempre esteve na vanguarda da tarefa educacional”, ressalta o Papa, citando como exemplo o fundador dos Escolápios, São José de Calasanz, que construiu a primeira escola para crianças, mas também os religiosos que o educaram e muito antes os mosteiros medievais que preservaram e difundiram a cultura clássica”. Segundo Francisco, “desta raiz forte surgiram carismas diferentes em todas as épocas da história que, por dom de Deus, souberam adaptar-se às necessidades e desafios de cada tempo e lugar. Hoje, a Igreja os chama a renovar este propósito a partir de sua própria identidade, e eu lhes agradeço por ter assumido este testemunho com tanta determinação e entusiasmo”.

Focalizar

A seguir, o Papa sintetiza em três linhas de ação concretas os sete compromissos essenciais do Pacto Educativo Global que está sendo promovido: focalizar, acolher e envolver.

“Focalizar no que é importante é colocar a pessoa no centro”, ressalta o Pontífice, “no seu valor, na sua dignidade, fazer sobressair a sua especificidade, a sua beleza, a sua singularidade e, ao mesmo tempo, a sua capacidade de se relacionar com os outros e com a realidade que a rodeia. Valorizar a pessoa faz da educação um meio para que as nossas crianças e jovens cresçam e amadureçam, adquirindo as habilidades e os recursos necessários para construirmos juntos um futuro de justiça e paz. Trabalhamos para as pessoas, são elas que formam as sociedades e estruturam uma única humanidade, chamada por Deus a ser o seu Povo eleito”.

Acolher

Segundo o Papa, para conseguir isso, é necessário o acolhimento, que “significa ouvir o outro, os destinatários de nosso serviço, as crianças e os jovens. Isso implica que pais, alunos e autoridades, os principais agentes da educação, escutem outros tipos de sons, que não são simplesmente os do nosso círculo educacional. Isso os impedirá de se fecharem em sua própria autorreferencialidade e os fará abrir-se ao grito que vem de cada ser humano e da Criação. Precisamos incentivar as nossas crianças e jovens a aprenderem a se relacionar, a trabalhar em grupo, a ter uma atitude empática que rejeita a cultura do descarte. Da mesma forma, é importante que aprendam a salvaguardar a nossa Casa comum, protegendo-a da exploração de seus recursos, adotando estilos de vida mais sóbrios e procurando fazer pleno uso de energias renováveis que respeitem o ambiente humano e natural, respeitando os princípios de subsidiariedade e solidariedade e a economia circular”.

Envolver

“A última linha de ação é decisiva: envolver”, ressalta o Papa. “A atitude de escuta, definida em todos esses compromissos, não pode ser entendida como mero ouvir e esquecer, mas tem que ser uma plataforma que permita a todos de se comprometerem ativamente neste trabalho educacional, cada um a partir de sua especificidade e responsabilidade. Envolver-se e engajar-se significa trabalhar para dar às crianças e jovens a possibilidade de ver este mundo que deixamos como um legado com um olhar crítico, capaz de entender os problemas nas áreas da economia, da política, crescimento e progresso, e propor soluções que estejam a serviço do ser humano e de toda a família humana, na perspectiva de uma ecologia integral”.

Francisco conclui a mensagem, afirmando que acompanha com suas “orações os esforços de todos os Institutos representados neste evento, e de todos os consagrados e leigos que trabalham no campo da educação, pedindo ao Senhor que a Vida Consagrada seja também parte essencial do Pacto Educativo Global neste momento histórico”.

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#SilêncioPelaDor: Igrejas expressam solidariedade aos familiares das vítimas da Covid-19

A escadaria da Igreja Santíssima Trindade, em Águas de Meninos, onde sobem dezenas de pessoas todos os dias, agora é só silêncio. Nenhuma palavra, nenhuma ação, apenas a oração silenciosa de homens e mulheres que compreendem a dor do próximo e se uniram para expressar solidariedade aos familiares das vítimas do COVID-19, que, segundo o levantamento realizado pelo consórcio de veículos de imprensa, já acomete mais de um milhão de brasileiros.

O que os moradores da Comunidade da Trindade estão fazendo ao silenciarem nas escadarias tem nome: “O silêncio faz ecoar nossa dor”. Esta é a campanha idealizada pelo responsável da Comunidade, Henrique Peregrino, em parceria com a Cáritas Nacional, a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), o Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), o Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (CEBIC), a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), o Centro de Estudos e Ação Social (CEAS) e o Núcleo Apostólico da Companhia de Jesus na Bahia (MAGIS).

Lançada no dia 11 de junho, a iniciativa, que também é conhecida como “Não-Ação”, além de ser um momento permanente de oração em meio ao silêncio, é também uma oportunidade de denunciar a inação de órgãos governamentais diante do crescente número de casos e de mortes. “Isso se tornou uma missão diante da responsabilidade da vida do próximo”, afirma Henrique.

O silêncio

Nas escadarias, homens e mulheres se revezam, diariamente, para que o ato seja realizado de maneira permanente e seguindo todas as recomendações sanitárias, como explica Henrique Peregrino, que montou uma tenda de frente para a Avenida Jequitaia, onde as pessoas se abrigam para ter esse momento oracional. “Disponível o dia todo, do nascer ao pôr do sol, das 6h às 18h, sempre há pessoas que assumem a presença silenciosa e oracional”, explica.

Henrique Peregrino ressalta que também chegou a participar de outras ações e assinou petições para que algo fosse feito diante do cenário, mas percebeu que era necessário algo mais e que o silêncio e a “Não-Ação” podiam completar de modo a tornar o clamor ainda mais forte. Contudo, ele explica que não é um silêncio calado, “é um silêncio de protesto e indignação. Nós não podemos ficar sem reação diante da situação em que diariamente milhares de vidas são perdidas. Não podemos achar isso normal, porque ninguém quer que o Brasil se torne um cemitério. Estamos todos aqui para a vida! Jesus disse ‘Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em plenitude’”, destaca.

De acordo com a moradora da Comunidade da Trindade, Juci de Souza, de 54 anos, que participa presencialmente nas escadarias da Igreja, sempre das 16h às 18h, é uma experiência única porque, segundo ela, antes da pandemia já refletia sobre o acúmulo de informações, a rotina dos seres humanos e o barulho de trânsito da cidade, já que muita gente não está cumprindo o isolamento social. “Eu vivo essa experiência para silenciar esse barulho que vem como uma resposta de toda a situação e sentir que, mesmo diante disso, eu posso entrar em comunhão e em sintonia com todos os gritos e dor que assolam o mundo”, diz. Juci destaca, ainda, que as pessoas estão vivendo como se as mortes e os casos de COVID-19 fossem algo comum. “Você saber que 50 mil vidas já se foram, e ter isso como algo natural, é não sentir empatia pela dor do outro”, conclui.

Para a pastora da Igreja Presbiteriana Unida, Sônia Mota, que abraçou a campanha na Igreja onde congrega e na CESE, que também faz parte da iniciativa, a sensação é de que diante dos discursos feitos por meio dos responsáveis pela Saúde no Brasil, as pessoas acabaram ficando cansadas com tantas ocorrências que envolvem vidas. “Entendemos que o silêncio também pode ser uma forma de protesto, mas não é o silêncio que se omite, mas sim o silêncio que quer falar alto. Na própria Bíblia há muitos momentos de silêncio. Silenciar-se diante de uma dor profunda. Silenciar-se para chamar atenção”, diz.

#SilêncioPelaDor

As pessoas também podem participar da campanha sem sair das casas. “Pode ser dentro do apartamento, da casa, qual que seja a moradia, essa pessoa pode reservar um momento para ficar em silêncio. E, para que esse silêncio ecoe, nós pedimos que as pessoas escrevam o lema, tirem uma foto e publiquem nas redes sociais com a #SilêncioPelaDor”, pede Henrique Peregrino.

A campanha também pode ser acompanhada, pelos internautas, através do Instagram: @silenciopelador e do Facebook: Silêncio Pela Dor

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“É hora de ser presença amorosa com as pessoas que sofreram perdas”, afirma dom Roberto

A pandemia da Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, continua acelerando no mundo, com um milhão de casos registrados em apenas oito dias, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O mundo também teve um recorde de novas infecções diárias no domingo (21): foram 183 mil novos casos. O maior número de infecções relatadas veio do Brasil. Com 654 novos registros de mortes, o Brasil totalizou mais de 50 mil óbitos por Covid-19, informou o Ministério da Saúde. Os casos confirmados da doença saltaram de 1.085.038 para 1.106.470.

Para falar sobre o aumento significativo, principalmente de óbitos, o portal da CNBB conversou com o bispo de Campos (RJ) e referencial da Pastoral da Saúde, dom Roberto Francisco Ferrería Paz. “Eu acredito que os números, claro, têm toda essa pedagogia da prevenção, mas eles começam a ter impacto quando a gente perde um familiar, quando é tocado na carne pela navalha da morte”, comentou o bispo.

Segundo dom Roberto, é importante ter compaixão e delicadeza para com os familiares que perderam seus entes queridos pela Covid-19. “Temos que mostrar que estamos com eles, que estamos acompanhando, porque o luto é difícil, sobretudo porque já começa com a dificuldade do enterro, que é marcado por uma série de questões razoáveis de distanciamento e que não deixa os familiares manifestarem o ritual da separação, o ritual de entregar nas mãos de Deus do querido familiar, então ficam muitos sentimentos contidos, não extravasados e a falta de solidariedade também visível, presente”, argumenta.

Com os maiores números de óbitos e casos confirmados da Covid-19 no Brasil, o Estado de São Paulo registra o total de 221.973 casos e 12.634 mortes. O Rio de Janeiro ocupa a segunda posição no ranking nacional da pandemia, com 97.572 casos e 8.933 óbitos até agora. Na sequência, estão os Estados do Ceará (94.158 casos e 5.604 óbitos), Pará (86.020 casos e 4.605 óbitos), Maranhão (70.689 casos e 1.760 óbitos), Amazonas (63.731 casos e 2.671 óbitos) e Pernambuco (52.494 casos e 4.252 óbitos).

Dom Ferrería comentou que, através da Pastoral da Esperança, tem recebido diariamente uma lista de pessoas que estão depressivas com as perdas; estão apreensivas em relação às cirurgias ou também em quarentena. “Eu ligo para elas, trato de escutá-las e trato de mostrar o que o Papa fala de dar “o abraço da esperança”. Sempre uma presença amiga é esperança e nos ajuda a compartilhar a dor”, salienta.

Ainda, de acordo com ele, esse não é o momento de pensar em coisas institucionais, operacionais, mas de ser presença amorosa, compassiva, de ternura com as pessoas que sofreram perdas. “É muito difícil, claro, estimar o quanto elas estão sofrendo, por isso temos que ser o bálsamo, temos que ser o rosto de Maria;  Maria que repara, que enxuga as lágrimas, a nossa querida mãe. É o momento da maternidade espiritual e consoladora para quem perdeu um familiar. Vamos continuar mostrando o rosto de uma Igreja mãe, solidária e que enxuga as lágrimas de todas as pessoas e, em especial, dos pobres”, finalizou dom Roberto.

Foto de capa: Ulrike Mai/Pixabay

Fonte: https://www.cnbb.org.br/e-hora-de-ser-presenca-amorosa-e-de-ternura-com-as-pessoas-que-sofreram-perdas-afirma-dom-roberto/

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Dia do Lavrador: “O homem do campo é também um cuidador da terra e da natureza”

No Dia do Lavrador, celebrado hoje, 23 de junho, o bispo da prelazia de Itacoatiara (AM) e vice-presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, fala da situação dos trabalhadores do campo no contexto da pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, os trabalhadores do campo estão mais tranquilos no sentido de que se encontram distantes das grandes aglomerações das cidades e vilas.

Por outro lado, o vice-presidente da CPT aponta que eles já se sentem afetados pelas dificuldades de não terem como escoar a sua produção e fazer chegar seus produtos às vilas e cidades, o que acaba gerando dificuldades de sustentação de suas famílias. Uma das questões mais preocupantes que vem afetando a vida dos pequenos lavradores na avaliação de dom Ionilton é o processo de mecanização da agricultura e a substituição do homem pela máquina.

Razões para celebrar

Dom José Ionilton, vice-presidente da CPT. Foto: Guilherme Cavalli/CIMI

Para o bispo da prelazia de Itacoatiara, quem mora na área urbana tem sempre que lembrar e comemorar o Dia do Lavrador porque depende muito dos trabalhadores do campo a sustentação das pessoas que vivem nas cidades. A capacidade que Deus deu de cuidar e trabalhar na terra e produzir o alimento é uma das razões para celebrar esta data, reforça o bispo.

“Celebrando esse Dia do Lavrador dirijo a nossa homenagem a todos os trabalhadores e trabalhadoras do campo, eles que cultivam a terra e fazem com que a comida chegue às nossas mesas, especialmente nós que moramos nas pequenas, médias e grandes cidades”, destaca.

O bispo elenca também como um outro bom motivo para comemorar o Dia do Lavrador a organização dos trabalhadores, incluindo o trabalho que realiza a Comissão Pastoral da Terra (CPT) que recém completou 45 anos de existência. “A CPT nasceu para dar apoio ao pequeno trabalhador e ao homem do campo. Esse trabalho se traduz na defesa dos pequenos agricultores para que tenham condições de permanecer na terra e ali produzam para a sua própria sustentação e para a alimentar quem está na cidade”, destaca.

Em função das ameaças que vêm sofrendo, a comemoração hoje é mais limitada, disse dom José. “O Papa Francisco, na exortação Querida Amazônia, fala da ganância do lucro fácil que faz com que as empresas se apropriem das terras. E fala também da privatização da água e do relaxamento das leis. Olha que a Querida Amazônia foi lançada em fevereiro, e o Santo Padre já falava sobre as autoridades que deixam o caminho livre para as madeireiras, mineradoras e empresas de exploração de petróleo e gás, atividades que devastam a floresta e contaminam o ambiente”, apontou.

O pequeno agricultor, segundo dom Ionilton, sai prejudicado por tudo isso. “O Papa Francisco diz que é preciso se indignar como Deus e Jesus se indignaram. Nós devemos reagir diante de tudo aquilo que sofre o homem do campo e o pequeno agricultor. Também os ribeirinhos, em nosso caso na Amazônia, que muitas vezes encontram-se também ameaçados pelo avanço dessas empresas, do agronegócio e pelas queimadas”, avaliou.

O bispo reforça o trabalho que vem sendo feito pela Igreja em apoio aos pequenos produtores e lavradores. “Continuamos trabalhando juntos como Igreja, por meio da CPT e das pastorais sociais, a Comissão Pastoral dos Pescadores Artesanais que trabalha na defesa dos pequenos que vivem da pesca, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que trabalha com os povos indígenas pela sua permanência e auto-sustentação pela terra”.

O vice-presidente da CPT afirma que o lavrador cuida da terra e não tem a ambição do lucro apenas. “O pequeno é quem mais preserva a natureza e o meio ambiente uma vez que não usa tanto o veneno e nem os agrotóxicos. Eles se organizam em pequenas produções, em áreas de terra agricultáveis diferente do agronegócio que tem grande impacto na natureza. Parabéns aos lavradores e lavradoras por seu dia”, concluiu.

fonte: https://www.cnbb.org.br/dia-do-lavrador-o-homem-do-campo-e-tambem-um-cuidador-da-terra-e-da-natureza/

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Papa reza pelos inocentes que sofrem sentenças injustas

Na Missa desta terça-feira, 7, Francisco recordou a perseguição que Jesus sofreu e rezou pelas pessoas que sofrem sentenças injustas

O Papa Francisco presidiu a Missa na Casa Santa Marta, no Vaticano, na manhã desta terça-feira, 7, da Semana Santa. A Antífona de entrada da celebração do dia, que o Pontífice lê no início da celebração, é extraída do Salmo 26: “Não me deixeis, Senhor à mercê de meus adversários, pois contra mim se levantaram testemunhas falsas, mas volta-se contra eles a sua iniquidade” (Sl 26,12).

Na introdução, o Santo Padre dirigiu seu pensamento aos inocentes perseguidos: “Nestes dias de Quaresma, vimos a perseguição que Jesus sofreu e como os doutores da Lei se acirraram contra Ele: foi julgado sob acirramento, com acirramento, sendo inocente. Gostaria de rezar, hoje, por todas as pessoas que sofrem uma sentença injusta por acirramento”.

Na homilia, o Papa comentou as leituras do dia, extraídas do Livro do profeta Isaías (Is 49,1-6), o segundo canto do Servo do Senhor, e o Evangelho de João (Jo 13,21-33.36-38) que fala da traição de Judas e da renegação de Pedro. “Peçamos a graça de perseverar no serviço, apesar das nossas quedas”, rogou.

Íntegra da homilia

“A profecia de Isaías que ouvimos é uma profecia sobre o Messias, sobre o Redentor, mas também uma profecia sobre o povo de Israel, sobre o povo de Deus: podemos dizer que pode ser uma profecia sobre cada um de nós. Substancialmente, a profecia ressalta que o Senhor elegeu o seu servo desde o seio materno: diz isso duas vezes. Desde o início o seu servo foi eleito, desde o nascimento ou antes do nascimento. O povo de Deus foi eleito antes do nascimento: também cada um de nós. Nenhum de nós caiu no mundo por casualidade, por acaso. Cada um de nós tem um destino, tem um destino livre, o destino da eleição de Deus. Eu nasço com o destino de ser filho de Deus, de ser servo de Deus, com a missão de servir, de construir, de edificar. E isso, desde o seio materno.

O servo de Javé, Jesus, serviu até à morte: parecia uma derrota, mas era o modo de servir. E isso ressalta o modo de servir que nós devemos assumir em nossa vida. Servir é dar-se, dar-se aos outros. Para cada um de nós, servir é não pretender nenhum benefício que não seja o servir. É a glória, servir; e a glória de Cristo é servir até aniquilar-se a si mesmo, até à morte, morte de Cruz. Jesus é o servo de Israel. O povo de Deus é servo, e quando o povo de Deus se distancia desta atitude de servir é um povo apóstata: distancia-se da vocação que Deus lhe deu. E quando cada um de nós se distancia desta vocação de servir, se distancia do amor de Deus. E edifica a sua vida sobre outros amores, muitas vezes idolátricos.

O Senhor nos elegeu desde o seio materno. Há quedas, na vida: cada um de nós é pecador e pode cair e caiu. Somente Nossa Senhora e Jesus: todos os outros caímos, somos pecadores. Mas o que importa é a atitude diante de Deus que me elegeu, que me ungiu como servo; é a atitude de um pecador que é capaz de pedir perdão, como Pedro, que jura que “não, jamais te renegarei, Senhor, jamais, jamais, jamais!”, depois quando o galo canta, chora. Arrepende-se. Este é o caminho do servo: quando escorrega, quando cai, pedir perdão.

Ao invés, quando o servo não é capaz de entender que caiu, quando a paixão o arrebata de tal modo que o leva à idolatria, abre o coração a satanás, entra na noite: foi o que aconteceu com Judas.

Pensemos hoje em Jesus, o servo, fiel no serviço. Sua vocação é servir, até à morte e morte de Cruz. Pensemos em cada um de nós, parte do povo de Deus: somos servos, nossa vocação é para servir, não para se aproveitar do nosso lugar na Igreja. Servir. Sempre em serviço. Peçamos a graça de perseverar no serviço. Por vezes com escorregões, quedas, mas ao menos a graça de chorar como Pedro chorou”.

Adoração e Bênção Eucarística

O Santo Padre terminou a celebração com a adoração e a bênção eucarística, convidando os fiéis a fazerem a Comunhão espiritual. A oração recitada pelo Papa:

“Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós!”.

Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo foi entoada uma antiga antífona mariana Ave Regina Caelorum (“Ave Rainha dos Céus”): “Ave, Rainha do céu; ave, dos anjos Senhora; ave, raiz, ave, porta; da luz do mundo és aurora. Exulta, ó Virgem gloriosa, as outras seguem-te após; nós te saudamos: adeus! E pede a Cristo por nós!”.

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Em documento, Vaticano manifesta preocupação com os idosos

Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, em mensagem intitulada “Idosos: na solidão, o coronavírus mata mais”, pede solidariedade

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida divulgou uma mensagem para os idosos, nesta terça-feira, 7, intitulada “Idosos: na solidão, o coronavírus mata mais”. A mensagem alerta para o tempo difícil vivido pelos idosos frente à pandemia e convida todos à solidariedade. 

“No coração dessa tempestade inesperada e furiosa, percebemos – como o Papa Francisco nos lembrou – que estamos no mesmo barco. Dentro do barco estão também os idosos. Como todos, eles se encontram frágeis e desorientados. A eles se dirige, hoje, nosso pensamento preocupado e agradecido, para retribuir, pelo menos, um pouco daquela ternura com a qual cada um de nós foi acompanhado na sua vida, e para que o carinho materno da Igreja chegue a cada um deles”, ressalta a mensagem.

De acordo com o dicastério, a geração dos nossos idosos está pagando o preço mais alto da pandemia de Covid-19. As estatísticas dizem que, na Itália, mais de 80% das pessoas que perderam a vida tinham mais de 70 anos.

O Papa Francisco afirma que a solidão pode ser uma doença, mas com caridade, proximidade e conforto espiritual podemos curá-la. “Essas palavras ajudam a entender que, se é verdade que o coronavírus é mais letal quando encontra um corpo debilitado, em muitos casos a patologia anterior é a solidão”, lembra a mensagem.

O dicastério destaca que estamos testemunhando a morte, em proporções e modalidades terríveis, de muitas pessoas que vivem longe de suas famílias, em condições de solidão verdadeiramente debilitantes e desanimadoras. Por esse motivo, é importante que se faça todo o possível para remediar essa condição de abandono. Isso, nas circunstâncias atuais, pode significar salvar vidas.

“Atualmente, existem muitas iniciativas nesse sentido que a Igreja está adotando em favor dos idosos”, recorda o organismo vaticano. “A incapacidade de continuar fazendo visitas domiciliares levou a encontrar formas novas e criativas de presença. Ligações, mensagens de vídeo ou de voz ou, mais tradicionalmente, cartas endereçadas a quem está sozinho. Muitas paróquias estão se empenhando na entrega de alimentos e remédios a quem é forçado a não sair de casa. Em quase todos os lugares, os padres continuam visitando as casas para distribuir os sacramentos. Muitos voluntários, especialmente jovens, estão trabalhando generosamente para não interromper – ou para começar a tecer – redes fundamentais de solidariedade”.

Dedicar-se aos idosos

O documento destaca que a gravidade do momento exige que se intensifique as obras de auxílio aos idosos, quer individuais, quer como Igrejas locais. Diante do cenário de uma geração atingida tão severamente, temos uma responsabilidade comum – enfatiza a mensagem – que decorre da consciência do valor inestimável de toda vida humana e da gratidão a nossos pais e avós.

“Devemos dedicar novas energias para defendê-los desta tempestade, assim como cada um de nós foi protegido e cuidado nas pequenas e grandes tempestades de nossas vidas. Não deixemos os idosos sozinhos, porque, na solidão, o coronavírus mata mais.”

Segundo o dicastério, aqueles que vivem em estruturas residenciais merecem uma atenção especial. A concentração no mesmo local de tantas pessoas frágeis e a dificuldade de encontrar os dispositivos de proteção criaram situações muito difíceis de administrar, apesar da abnegação e, em alguns casos, o sacrifício da equipe dedicada à assistência”, ressalta o organismo vaticano.

O documento, porém, lembra que a crise atual é resultado de um abandono assistencial e terapêutico que vem de longe.“Apesar da complexidade da situação em que vivemos, é necessário esclarecer que salvar a vida de idosos que vivem em estruturas residenciais ou que estão sozinhos ou doentes é uma prioridade tanto quanto salvar qualquer outra pessoa.”

Nos países onde a pandemia ainda tem dimensões limitadas, ainda é possível tomar medidas preventivas para protegê-los; naqueles em que a situação é mais dramática, é necessário mobilizar-se para encontrar soluções de emergência. Tudo isso afeta o futuro de nossas comunidades eclesiais e de nossas sociedades, porque, como o Papa Francisco disse recentemente, “os idosos são o presente e o amanhã da Igreja”.

Rezar pelos avós e idosos do mundo

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida recorda que, “no sofrimento desses dias, somos chamados a entrever o futuro. No amor de tantos filhos e netos, e no cuidado dos assistentes e voluntários, revive-se a compaixão das mulheres que vão ao túmulo para cuidar do corpo de Jesus. Como elas, temos medo e, como elas, sabemos que não podemos fazer outra coisa que – mantendo a distância – viver a compaixão que Ele nos ensinou. Como elas, logo entenderemos que era necessário permanecermos próximos, mesmo quando parecia perigoso ou inútil, certos das palavras do anjo, que nos convida a não ter medo”.

“Unamo-nos, então, em oração, pelos avós e idosos de todo o mundo. Reunamo-nos ao seu redor, com o pensamento e o coração e, ali onde for possível, com a ação, para que não se sintam sozinhos”, conclui a mensagem do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

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No Domingo de Páscoa, Brasil será consagrado a Nossa Senhora

Ato será realizado também por países da América Latina e Caribe, a pedido do Conselho Episcopal Latino-Americano; momento será de oração e pedido pelo fim da pandemia

No Domingo de Páscoa, 12 , às 14 horas, festa maior da Igreja Católica, o Brasil irá unir-se aos demais países da América Latina e Caribe, conforme solicitação do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), e será consagrado a Nossa Senhora. O momento será de oração e pedido pela intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria diante da pandemia causada pelo coronavírus. O pedido é para que este tempo difícil seja superado. A Consagração a Nossa Senhora será transmitida, ao vivo, por todas as TVs de inspiração católica, por rádios e pelas redes sociais da CNBB.

Na última quarta-feira, 1, o Celam anunciou que fará o Ato de consagração da América Latina e do Caribe a Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da América, “para pedir-lhe a saúde e o fim da pandemia, colocando-nos sob seu olhar amoroso nestes momentos difíceis, em que Ela pode nos abrir as portas da esperança”.

Em comunicado, a presidência do CELAM, com o apoio dos bispos do México, convidou todos os países da América-Latina e do Caribe a participarem deste evento por meio das plataformas digitais e de outros meios de comunicação. A nota explica que, como sinal de união continental, as catedrais e templos de cada país, dioceses e paróquias tocarão 12 badaladas no começo do Terço Missionário oferecido pela saúde das pessoas dos cinco continentes.

“Ao contemplar a Mãe do verdadeiro Deus, por quem se vive, fortalecemos nossa fé, animamos nossa esperança e nos comprometemos com amor solidário, especialmente com aqueles que, hoje, experimentam enfermidade, dor, pobreza, solidão, temor e inquietude”, destaca a presidência.

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Papa reza pelos presos e pensa nos pobres: neles, Jesus se identifica

Na Missa desta segunda-feira, 6, Francisco voltou a dirigir seu pensamento aos presos e ao grave problema da superlotação dos cárceres, rezando a fim de que os responsáveis encontrem soluções

Papa Francisco presidiu a Missa na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, na manhã desta segunda-feira, 6, da Semana Santa. Ao introduzir a celebração, rezou pelo problema da superlotação nos cárceres: “Penso num grave problema que existe em várias partes do mundo. Gostaria que, hoje, rezássemos pelo problema da superlotação nos cárceres. Onde há uma superlotação – muita gente ali – há o perigo, nesta pandemia, de que se acabe numa grave calamidade. Rezemos pelos responsáveis, por aqueles que devem tomar as decisões nisso, a fim de que encontrem um caminho justo e criativo para resolver o problema”.

Na homilia, Francisco comentou a passagem do Evangelho de João (Jo 12,1-11) em que Maria, irmã de Lázaro, ungiu os pés de Jesus com um perfume precioso, provocando as críticas de Judas: este perfume – diz aquele que estava prestes a trair o Senhor – podia ser vendido e o rendimento dado aos pobres. O evangelista observa que disse isso não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era um ladrão, e ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela, contou Francisco. Jesus lhe responde: “Deixe-a; ela fez isso em vista do dia de minha sepultura. Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis”, complementou o Pontífice.

O Papa falou dos pobres: “Há muitos, em grande parte estão escondidos e não os vemos, porque somos indiferentes. Muitos pobres são vítimas das políticas financeiras e da injustiça estrutural da economia mundial. Muitos pobres se envergonham por não terem meios e vão às escondidas à Caritas. Os pobres, os encontraremos nos juízo final: Jesus se identifica com eles. Seremos julgados sobre nossa relação com os pobres”. 

Íntegra da homilia

“Esta passagem se conclui com uma observação: ‘Os sumo sacerdotes decidiram matar também Lázaro, porque, por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus’. Dias atrás, vimos os passos da tentação: a sedução inicial, a ilusão, depois cresce – segundo passo – e terceiro, cresce e se contagia e se justifica. Mas há outro passo: segue adiante, não se detém. Para eles, não era suficiente matar Jesus, mas agora também Lázaro, porque era uma testemunha de vida.

Hoje, gostaria de deter-me sobre uma palavra de Jesus. Seis dias antes da Páscoa – estamos propriamente muito perto da Paixão –, Maria faz este gesto de contemplação: Marta servia – como a outra passagem – e Maria abre a porta à contemplação. E Judas pensa no dinheiro e pensa nos pobres, mas não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão, e ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela. Essa história do administrador infiel é sempre atual, esses sempre existem, mas também em outro nível: pensemos em algumas organizações de beneficência ou humanitárias que têm muitos funcionários, muitos, que têm uma estrutura muito rica e acaba chegando aos pobres quarenta por cento, porque sessenta por cento é para pagar o salário dessas pessoas. É um modo de apropriar-se do dinheiro dos pobres. Mas a resposta é Jesus. E aqui gostaria de deter-me: “De fato, os pobres, sempre os tereis convosco”. Esta é uma verdade: “De fato, os pobres, sempre os tereis convosco”. Os pobres existem. São muitos: há o pobre que nós vemos, mas esta é a mínima parte; a grande quantidade dos pobres é aquela que não vemos: os pobres escondidos. E nós não os vemos, porque entramos nessa cultura da indiferença, que é negacionista, e negamos: “Não, não, não são muitos deles, não se veem; sim, aquele caso…”, diminuindo sempre a realidade dos pobres. Mas há muitos deles, muitos.

Ou mesmo, se não entramos nesta cultura da indiferença, há um costume de ver os pobres como decorações de uma cidade: sim, existem, como as estátuas; sim, existem, se veem; sim, aquela velhinha que pede esmola, aquele outro… Mas como (se fosse) uma coisa normal. Ter pobres é parte da decoração da cidade. Mas a grande maioria é de pobres vítimas das políticas econômicas, das política financeiras. Algumas estatísticas recentes fazem um resumo assim: há muito dinheiro nas mãos de poucos e tanta pobreza em muitos, em muitos. E essa pobreza é a pobreza de muita gente vítima da injustiça estrutural da economia mundial. E (há) muitos pobres que sentem vergonha de mostrar que não conseguem chegar ao final do mês: muitos pobres da classe média, que vão às escondidas à Caritas e de modo escondido pedem e se envergonham. Os pobres são muitos mais do que os ricos; muito, muito… E aquilo que Jesus disse é verdade: “De fato, os pobres sempre os tereis convosco”. Mas eu os vejo? Eu me dou conta desta realidade? Sobretudo da realidade escondida, aqueles que sentem vergonha de dizer que não conseguem chegar ao final do mês.

Lembro-me que, em Buenos Aires, me tinham dito que o prédio de uma fábrica abandonada, há anos vazia, estava sendo habitada por umas quinze famílias que tinham chegado naqueles últimos meses. Fui lá. Eram famílias com crianças, e cada uma tinha ocupado uma parte da fábrica abandonada para viver. E, olhando, vi que cada família tinha móveis bons, móveis da classe média, tinham a televisão, mas acabaram ali, porque não podiam pagar o aluguel. Os novos pobres que devem deixar a casa, porque não podem pagá-la, vão para lá. É aquela injustiça da organização econômica ou financeira que os leva a isso. E são muitos deles, muitos, a tal ponto que os encontraremos no juízo. A primeira pergunta que Jesus nos fará é: “Como vais com os pobres? Deste de comer? Quando estava no cárcere, o visitaste? No hospital, o visitaste? Assististe a viúva, o órfão? Porque ali era Eu quem estava”. E sobre isso seremos julgados. Não seremos julgados pelo luxo ou as viagens que fazemos ou pela ‘importância social que teremos. Seremos julgados pela nossa relação com os pobres. Mas se eu, hoje, ignoro os pobres, deixo-os de lado, creio que (eles) não existem, o Senhor me ignorará no dia do juízo. Quando Jesus diz: “Os pobres, sempre os tereis convosco”, significa: “Eu estarei sempre convosco nos pobres. Ali estarei presente”. E isso não é ser comunista, esse é o centro do Evangelho: nós seremos julgados sobre isso”.

Antífona Mariana

Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo, foi entoada uma antiga antífona mariana Ave Regina Caelorum (“Ave Rainha dos Céus”): “Ave, Rainha do céu; ave, dos anjos Senhora; ave, raiz, ave, porta; da luz do mundo és aurora. Exulta, ó Virgem gloriosa, as outras seguem-te após; nós te saudamos: adeus! E pede a Cristo por nós!”.

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As armas contra a pandemia: trabalho, fé e solidariedade

Valle Seriana é uma das regiões, nos arredores de Bérgamo, mais atingidas pelo Covid-19 na Itália. O testemunho de uma jovem universitária que da sua casa observa sua cidade em quarentena

Amedeo Lomonaco – Cidade do Vaticano

Já passou mais de um mês do início da emergência ligada ao coronavírus. Na Itália a região da Lombardia continua sendo a mais atingida. Em Valle Seriana, centro do foco nos arredores de Bérgamo a situação ainda é muito grave. Mas a população, mesmo marcada por esta dura prova, reage com as armas do trabalho incessante e, principalmente com a solidariedade. Característica que distingue esta comunidade que neste momento de grande sofrimento não se sente só, graças também ao afeto demonstrado pela Itália e por muitos outros países. Este é o testemunho de Chiara Colotti, residente na Valle Seriana, província de Bérgamo.

Chiara Colotti: A província de Bérgamo, em particular Valle Seriana, é uma das regiões mais atingidas pela emergência do Covid-19. O nosso Valle está chorando e está sofrendo. As ambulâncias tornaram-se um som que acompanha o nosso dia a dia. Estamos perdendo uma geração inteira. É a geração dos nossos avós. Uma geração rica de história, de experiências, de ensinamentos fundamentais para nós jovens, mas também para o futuro da humanidade. Os médicos, os enfermeiros e todos os profissionais da saúde estão no extremo de suas forças. Apesar disso, a nossa população neste momento de dor e sofrimento pela perda dos nossos familiares também temendo pelos doentes e em geral pelo futuro, não se deixa abater. Se tivesse que descrever os bergamascos com poucas palavras diria que são pessoas que falam pouco, mas trabalham muito. São o exemplo concreto do que disse o Papa Francisco. Com as obras de caridade, demonstramos a nossa fé e a caridade maior que é a que se faz para com os que não podem retribuir. Os bergamascos estão exprimindo sua fé através do compromisso com os outros, através das obras de generosidade e de solidariedade, também através do trabalho. Este período de obstáculos e de medo certamente não está nos detendo. Estamos indo adiante, apesar de tudo, e cada um se dedica como pode para ajudar.

Este é um período marcado por muitas sombras e se recolhem muitas lágrimas. Mas nesta dramática situação não faltam sinais de esperança. Em Bérgamo logo será inaugurado o hospital de campanha…

Chiara Colotti: Sim logo o hospital de campanha de Bérgamo ficará pronto. Deveria ser apenas um hospital de campanha, mas na realidade serão realizadas as logísticas necessárias, farmácia, análises clínicas e terapia intensiva. Toda a comunidade, artesãos, jovens voluntários, e a torcida do time local, o Atalanta estão com a mão na massa para que fique pronto o quanto antes. É um exemplo de solidariedade.  

A solidariedade é garantida a todos

Chiara Colotti: Bérgamo é a imagem de uma comunidade que não para e não quer parar. É um território habitado por pessoas que podem parecer fechadas, mas são pessoas com um grande coração. E não pensam duas vezes em ajudar o próximo. Estamos vivendo na própria pele uma experiência dramática. Na dramaticidade a nossa comunidade está se regenerando e redescobrindo suas próprias raízes. Raízes feitas de generosidade, de solidariedade e de ajuda ao próximo. Sempre trabalhamos com a cabeça baixa, sem desistir com os obstáculos. E agora, mais do que nunca estamos demonstrando isso.

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Francisco: na provação, não estamos sozinhos, confiemo-nos a Cristo

Em suas saudações na Audiência Geral, o Papa Francisco recorda que Jesus é um amigo fiel, que nos acompanha e nunca decepciona, e que em sua cruz encontramos “apoio e consolo no meio das tribulações da vida”. Portanto, nos convida a confiar na intercessão de São João Paulo II nas vésperas do 15º aniversário de sua morte.

Alessandro Di Bussolo/Mariangela Jaguraba - Cidade do Vaticano

Jesus é o amigo fiel “que enche a nossa vida de felicidade, mesmo em tempos difíceis”, que “nos acompanha e nunca decepciona”. Nele e com ele não estamos sozinhos e na sua cruz, os nossos corações encontram “apoio e conforto no meio das tribulações da vida”. Assim, o Papa Francisco saúda os fiéis em várias línguas, conectados através dos meios de comunicação com a Biblioteca Apostólica Vaticana, no final da catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (01/04).

Ouça a reportagem

Saudação em língua portuguesa

Eis a íntegra da saudação em língua portuguesa.

Amados ouvintes de língua portuguesa, a todos saúdo e convido a viver com a Igreja inteira, em pensamento e de coração, a próxima Semana Santa, que coloca diante dos nossos olhos a Cruz onde Jesus assumiu e suportou toda a tragédia da humanidade. Não podemos esquecer as tragédias dos nossos dias, porque a Paixão do Senhor continua no sofrimento dos homens. Que os vossos corações encontrem, na Cruz de Cristo, apoio e conforto no meio das tribulações da vida; abraçando a Cruz como Ele, com humildade, confiança e abandono filial à vontade de Deus, tereis parte na glória da Ressurreição.

O homem, com medo, confia-se à Misericórdia Divina

Aos poloneses, o Papa recorda que o homem de hoje vê “os sinais da morte” presentes na civilização e “vive cada vez mais com medo, ameaçado no núcleo de sua existência”. Nestes dias difíceis, “os seus pensamentos corram para Cristo: saibam que vocês não estão sozinhos. Ele os acompanha e nunca decepciona”. Confiem na Sua “Misericórdia Divina e na intercessão de São João Paulo II nas vésperas do 15º aniversário de sua morte”, que recordaremos nesta quinta-feira, 2 de abril.

Nos eventos da vida, descubra a Providência do Senhor

Aos alemães, o Papa Francisco recorda que, ao contemplar “a face do Senhor crucificado e morto por nós”, neste período de provação, podemos reconhecer “em sua cruz a fonte da verdadeira esperança e alegria, através da qual Ele venceu todo o mal”.

Aos ouvintes de língua espanhola, sua língua nativa, o Papa pede para descobrir a Providência do Senhor “nos acontecimentos da vida cotidiana”. E nos convida a lembrar, nesses momentos de provação e escuridão, “todos os nossos irmãos e irmãs que sofrem, e aqueles que os ajudam e acompanham com amor e generosidade”.

Obrigado, jovens milaneses, não percam a esperança em Jesus

Por fim, entre os fiéis de língua italiana, Francisco saúda em particular “os grupos que tinham feito reservas para estarem presentes hoje” na Audiência Geral, dentre eles “os jovens da profissão de fé da Diocese de Milão”. “Queridos jovens, mesmo que sua peregrinação a Roma seja apenas virtual, quase sinto a sua presença alegre e barulhenta, concretizada também nas muitas mensagens que vocês me enviaram”. O Papa agradece e encoraja os jovens milaneses a “viverem sempre a fé com entusiasmo e a não perder a esperança em Jesus, amigo fiel que enche a nossa vida de felicidade, mesmo nos momentos difíceis”. Que esses últimos dias da Quaresma possam favorecer “uma preparação adequada da celebração da Páscoa, levando cada pessoa a uma proximidade maior a Cristo”.

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Papa Francisco no Angelus: “ser escravo das paixões leva à guerra. A Lei de Deus é liberdade”

“Jesus hoje nos pede para progredir no caminho do amor que Ele nos indicou e que parte do coração. Este é o caminho a seguir para viver como cristãos”, afirmou o Pontífice ao rezar o Angelus dominical. Sob um sol quase primaveril, o Papa Francisco rezou o Angelus com milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro. Em sua alocução, comentou o Evangelho deste VI Domingo do Tempo Comum (Mt 5,17-37), extraído do “sermão da montanha” e que toca o argumento da aplicação da Lei.

Francisco explicou que a intenção de Jesus é ajudar os seus ouvintes a ter uma abordagem justa com as prescrições dos mandamentos dados a Moisés. Trata-se de viver a Lei como um instrumento de liberdade, que nos ajuda a não sermos escravos das paixões e do pecado.

“Pensemos nas guerras, em suas consequências, pensemos naquela menina que morreu de frio na Síria outro dia. Tantas calamidades, tantas. Isso é fruto das paixões e as pessoas que fazem a guerra não sabem dominar as próprias paixões. Falta obedecer à Lei.”

Quando se cede às tentações e às paixões, acrescentou, não se é senhor e protagonista da própria vida, mas se torna incapaz de administrá-la com vontade e responsabilidade.

Obediência formal e obediência substancial

O sermão de Jesus, prosseguiu o Papa, é estruturado em quatro antíteses, expressas com a fórmula «Ouvistes o que foi dito… porém vos digo». Essas antíteses fazem referência a situações da vida cotidiana: o homicídio, o adultério, o divórcio, os juramentos.

Jesus não abole as prescrições que dizem respeito a essas problemáticas, mas explica o seu significado mais profundo e indica o espírito com o qual observá-las. Ele encoraja a passar de uma obediência formal da Lei a uma obediência substancial, acolher a Lei no coração, que é o centro das intenções, das decisões, das palavras e dos gestos de cada um de nós. “Do coração partem as ações boas e aquelas más”, recordou Francisco.

A língua mata

Acolhendo a Lei de Deus no coração, se compreende que, quando não se ama o próximo, se mata de algum modo a si mesmo e aos outros, porque o ódio, a rivalidade e a divisão matam a caridade fraterna, que está na base das relações interpessoais. “Vale o que disse antes sobre as guerras e também das fofocas, porque a língua mata.”

Acolhendo a Lei de Deus no coração, se compreende que os desejos devem ser guiados, porque nem tudo o que se deseja é possível obter, e não é bom ceder a sentimentos egoístas e possessivos.

Progredir no caminho do amor

Todavia, acrescentou o Papa, Jesus está consciente de que não é fácil viver os mandamentos deste modo assim tão profundo. Por isso, nos oferece o socorro do seu amor: Ele veio ao mundo não só para realizar a Lei, mas também para nos doar a sua Graça, de modo que possamos fazer a vontade de Deus, amando Ele e os irmãos.

“Podemos fazer tudo com a Graça de Deus. A santidade nada mais é que custodiar esta gratuidade que Deus nos deu, esta Graça.” Trata-se de se entregar e confiar Nele, acolhendo a mão que Ele nos estende constantemente.

Jesus hoje nos pede para progredir no caminho do amor que Ele nos indicou e que parte do coração. Este é o caminho a seguir para viver como cristãos. “Que a Virgem Maria nos ajude a seguir o caminho traçado pelo seu Filho, para alcançar a verdadeira alegria e difundir em todo o mundo a justiça e a paz.”

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