Diocese de Votuporanga


O Direito humano: Direito à vida

Dom Antonio Carlos Altieri
Arcebispo Emérito de Passo Fundo (RS)

 

Cuidar com gestos e procedimentos que geram amparo e alívio ao doente.

A vida é um dom de Deus, e a ele cabe o poder de dá-la e tirá-la. Ao que se chama erroneamente de morte doce (eutanásia), nada mais é do que uma ideia irracional e eticamente reprovável. O verdadeiro direito humano é o direito da vida, e essa vida humana, como nos diz o Papa Francisco é “sagrada, válida e inviolável, e como tal, deve ser amada, defendida e cuidada”.

O momento da enfermidade é sempre um período de fragilidade e, muitas vezes, de solidão, em que a pessoa faz a dolorosa experiência da sua incapacidade, dos seus limites e também da finitude da vida. Embora seja sofrimento, o ensinamento cristão diz que, especialmente o sofrimento dos últimos momentos da vida, tem um lugar especial nos planos salvíficos de Deus; é de fato participar da Paixão de Cristo e a união com o sacrifício redentor que Ele ofereceu em obediência a vontade do Pai. Ou seja, aos enfermos, aceitar voluntariamente ao menos uma parte do sofrimento próprio de uma maneira consciente, e associá-lo ao sofrimento de Cristo crucificado (cf. Mt 27, 34).

A expressão morrer com dignidade (eutanásia) na verdade é bem resumida na Encíclica Evangelium Vitae como uma ação/omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte objetivando a eliminação do sofrimento. Do ponto de vista moral, a eutanásia é totalmente condenável, pois possui o fato de desviar a morte de seu curso natural antecipando a morte. E, levando em conta o que diz o Código de Ética Médica de 1931: “…um dos propósitos mais sublimes da Medicina é sempre conservar e prolongar a vida”. O enfermo tem o direito de prosseguir e aguardar o curso natural da vida. Por isso, não cabe a médicos, enfermos, nem a quem por direito são responsáveis deles, decidir quando e como se deve morrer.

Em cada visita realizada aos enfermos, é levada a misericórdia, mas ela não se realiza com palavras bonitas ou frases de efeito, ela é concreta e precisa ser exercitada. Nenhum equipamento eletrônico substitui um sorriso que devolve a alegria, um abraço que conforta, uma palavra que tranquiliza, uma oração que aumenta a fé, um olhar que dá esperança, um ouvido que escuta as dores e os medos. É o conforto e a assistência espiritual que devemos levar aos nossos irmãos, apoiando a cada um em seu momento de fragilidade. No leito de dor encontraremos o próprio Cristo sofredor: “Estive doente e me visitastes” (cf. Mt 25, 36). As pessoas

doentes devem ser amparadas para que possam levar uma vida tão normal quanto possível.

Por fim, como diz o Papa Francisco, a grande tentação hoje é de “brincar com a vida”, é um pecado contra Deus, o criador de todas as coisas. A morte não deve ser vista erroneamente, ela é um dom de Deus, e a morte é inevitável, e nem sempre representa o fracasso de um médico, fracasso é a morte desumanizada. Legítimo não é antecipar a morte, legítimo é morrer dignamente. A morte é o fim da nossa existência na terra, mas a passagem para vida imortal, e todos devem estar preparados para esse evento à luz dos valores humanos e à luz da fé. E para os que trabalham com a saúde, devem usar de todos os esforços defendendo a vida.

“Todas as vezes que fizestes isso a um dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes”. (Mt 25, 40). Comprometida com os valores cristãos da solidariedade e humanização, a Pró Saúde realiza um conjunto de ações para valorizar o dom da vida em cada um dos seus mais de um milhão de atendimentos mensais. Entre elas, está a implantação da Pastoral da Saúde em todas as unidades gerenciadas nos 12 Estados brasileiros nos quais está presente. A Pró-Saúde, que tem em sua origem de fundação a Igreja Católica, preza por manter esse conceito de fé e amor ao próximo, que norteia nosso trabalho desde sempre.



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